terça-feira, 10 de junho de 2008

Grupo Espírita de Estudos Jurídicos - Prof. Fernando Ortiz


SOBRE O GRUPO...

O “Grupo Espírita de Estudos Jurídicos “Prof. Fernando Ortiz” foi fundado em 2002, reunindo-se todo primeiro sábado de cada mês, na sede do “Grupo Espírita Luz e Amor”, às 15h, na rua Álvaro Abranches, 965, em Franca/SP. A primeira obra estudada foi “A Filosofia Penal dos Espíritas – estudo de filosofia jurídica”, do prof. Fernando Ortiz. Temas como o processo e julgamento de Jesus, do apóstolo Paulo e de Joana D´arc, pesquisas em células-tronco, aborto do anencéfalo, bioética, casos concretos ligados ao Direito, criminologia, das penas, Justiça Divina e Humana, união civil entre pessoas do mesmo sexo, casamento e divórcio, eutanásia, corrupção, dentre outros, são objetos de nossas reflexões. O grupo tem como objetivo estudar questões da filosofia-jurídica à luz da Doutrina Espírita. Não se trata de grupo restrito a operadores da seara do Direito, mas sim a todos os espíritos ávidos pela implantação da Justiça na Terra. Visa, sobretudo, ao aperfeiçoamento espiritual dos participantes, contribuindo para a superação das angústias e dificuldades do dia-a-dia, em razão da compreensível dificuldade de se obter o justo nos tempos atuais...

FUNDADA A ASSOCIAÇÃO JURÍDICO-ESPÍRITA DO ESTADO DE SÃO PAULO




No último dia 08 de março de 2008, na sede da USE/SP (União das Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo), na Rua Dr. Gabriel Piza, 433 – São Paulo-SP, foi fundada a Associação Jurídico-Espírita do Estado de São Paulo – AJE/SP, com o objetivo de contribuir para o aprimoramento espiritual dos operadores do Direito espíritas e interessados em questões jurídico-sociais, unificação destes, melhoria da legislação vigente, defesa legal de assuntos que esbarrem em princípios essenciais da filosofia espírita, divulgação do pensamento espírita sobre questões jurídico-sociais para os meios jurídicos e sociedade em geral.
O evento contou com a presença de 52 pessoas, dentre elas os delegados de polícia Bismael Batista de Moraes e João Demétrio Loricchio, ambos da União dos Delegados Espíritas do Estado de São Paulo, representantes do Ministério Público do Estado de São Paulo, a presidente e membro do Instituto dos Advogados de São Paulo Maria Odete Duque Bertasi e Rafael Marinangelo, respectivamente, integrantes da Comissão de Direito e Liberdade Religiosa da OAB/SP Jader Freire de Macedo Júnior e Regina Célia Silveira Santana, advogados, servidores estudantes e demais interessados.
O encontro teve a participação da Dra. Marlene Nobre, que teceu comentários sobre o início do movimento análogo na área médico-espírita, em 1990, contando, atualmente, com mais de trinta AME’s (Associação Médico-Espírita). Participaram, também, os promotores de justiça Izaias Claro e Eduardo Ferreira Valério, o procurador do Estado Washington Nogueira Fernandes e representando a USE-SP a advogada Julia Nezu.
A discussão transcorreu voltada para a necessidade de criação da entidade e de seus objetivos. Ao final, por unanimidade, a assembléia formada por todos os presentes deliberou pela fundação da AJE/SP naquele ato, constituindo comissão provisória formada por 16 pessoas, com o fim de redigir o estatuto no prazo de 60 dias. O promotor de justiça Tiago Cintra Essado presidiu a Assembléia de fundação e foi eleito para coordenar a comissão provisória.


Para mais informações, contatar: julianezu@terra.com.br e ajesp.sp@gmail.com


O veneno da preocupação

Matéria do Jornal "O CLARIM".

Junho/2008


André Rabello

Perante as nuvens de incertezas que amiúde escurecem o céu de nossas mais caras esperanças, o veneno da preocupação mal contida, freqüentemente, nos intoxica os delicados mecanismos da alma. Diante dela, tememos o que o futuro nos mostrará, ao mesmo tempo em que ignoramos a realidade do presente, perdendo inúmeras oportunidades de crescimento espiritual. Ensejos de praticar a caridade, ajudar a familiares, socorrer a dor de necessitados, estudar lições edificantes do Evangelho de Jesus e tantos outros, que aparecem como luzes que a Clemência Divina nos coloca no caminho, visando nos conduzir ao reino de nossa redenção, são por nós ignorados, pois permanecemos com os olhos fechados para a nossa reforma íntima, nos preocupando em excesso com o futuro que ainda não conhecemos.
Quando o nobre espírito Hammed fala da preocupação no seu livro “As Dores da Alma” (1) nos alerta para essa postura equivocada. Pensar excessivamente no que há de vir pode se constituir num mecanismo de fuga para nossas responsabilidades do tempo atual. Quanto mais nos preocupamos com os problemas que teremos de enfrentar, e outros que apenas existem dentro de nossas mentes, menos agimos de forma útil no presente, acumulando maior soma de preocupações para os dias que se seguem. E quando deixamos este processo seguir de forma indiscriminada, acabamos assoberbados de dificuldades não resolvidas que têm como resultante inevitável muitos dos males emocionais dos tempos modernos, tais como a ansiedade, a depressão, esgotamentos nervosos, etc.
Qual a solução para que quebremos este círculo vicioso de preocupações? Busquemos na Doutrina Espírita as respostas e veremos que apenas o antídoto do trabalho e da coragem poderá nos curar da doença das preocupações excessivas. Trabalhemos no intuito de resolver os problemas que desafiam nossa tranqüilidade interior o mais rápido possível, e tenhamos coragem para enfrentarmos os desdobramentos que eles poderão apresentar, na certeza de que quanto mais adiarmos a resolução de nossas questões difíceis, mais complicadas elas se nos apresentarão futuramente.
Portanto, se não queremos nos “pré-ocupar” mentalmente com nenhum problema, nos cansando desnecessariamente, procuremos nos ocupar deles, resolvendo-os da melhor forma, angariando para nosso coração a tranqüilidade da consciência tranqüila e o galardão da fortaleza interior.


BIBLIOGRAFIA



(1) – AS DORES DA ALMA – FRANCISCO DO ESPÍRITO SANTO NETO – DITADO PELO ESPÍRITO HAMMED.

Tirinhas - A TURMA DO DEQUINHO







Tirinhas Espíritas - Desenvolvidas por Clésio Tapety.
Fonte: Site - Clésio Tapety - Espiritismo e Arte.

segunda-feira, 9 de junho de 2008

SER E PARECER



A essência, o ser em si mesmo, constitui a individualidade, que
avança mediante o processo reencarnatório, adquirindo
experiências e desenvolvendo as aptidões que lhes jazem inatas,
heranças que são da sua origem divina.

A expressão temporária, adquirida em cada existência corporal, com
as suas imposições e necessidades, torna-se a personalidade de que se
reveste o espírito, a fim de atingir a destinação que o aguarda.

A primeira tem o sabor da eternidade, enquanto a outra é transitória.

No âmago do ser encontra-se a vida pulsante, imorredoura, embora, na
superfície, a aparência, o revestimento, quase sempre difere da estrutura que
envolve.

A individualidade resulta da soma das conquistas, através do êxito como do
insucesso, logrados ao largo das lutas que lhe são impostas.

A personalidade varia conforme a ocasião e as circunstâncias, os
interesses e as ambições.

Esta passa, enquanto aquela permanece.

Máscara, forma de aparecer, a personalidade se adquire sem
transformação substancial, profunda, ocultando, na maioria das vezes, o que
se é, o que se pensa, o que se aspira.

Legítima, a individualidade se aprimora, qual diamante que fulge ao atrito
abençoado do cinzel.

A personalidade extravasa, formaliza, apresenta.

A individualidade aprimora, realiza, afirma.

À medida que o ser evolui, mergulha no mundo íntimo, introspectivamente,
desenvolvendo os valores que dormem em embrião e se agigantam.

O exterior desgasta-se e desaparece.

O interior esplende e agiganta-se.

A semente que morre semente, não viveu, não realizou a missão que lhe estava
reservada: multiplicar e produzir vida.

A gema, sem lapidação, jamais fulgura.

Faze a tua indagação à vida, em torno da tua destinação.

Quem és hoje e o que pretendes alcançar?

Cansado da aparência, realiza-te intimamente e desata as aptidões
superiores que aguardam oportunidade e cresce para as finalidades elevadas da
Vida.

Tenta ser, por fora, conforme evoluis por dentro, sendo a pessoa gentil, mas
nobre, fulgurante e abnegado, afável todavia leal.

Tua aparência, seja também tua realidade, esforçando-te, cada vez mais, para
conseguir a harmonia entre a individualidade e a personalidade,
refletindo os ideais de beleza e amor que te vitalizam.

[Joanna de Ângelis]
[Divaldo Franco]
[Momentos de Coragem]
[Editora LEAL]

sábado, 7 de junho de 2008

Julgamentos entre espíritas


Laços de Afeto

Caminhos do Amor na Convivência

Pelo Espírito Ermance Dufaux

Editora Dufaux

Psicografia de Wanderley S. de Oliveira

Parte final do capítulo 18 – Flexibilidade nos Julgamentos


Amigos.

Julgamentos definitivos excluem a possibilidade da fraternidade. As pessoas mudam a cada dia, e nem sempre se conservam as mesmas, o que se lhes seria um direito caso isso fosse possível. Nos ambientes espiritistas os julgamentos morais torna-se triviais. Em razão dos conteúdos dos conhecimentos com o qual laboramos, muito facilmente percebe-se as conclusões do tipo: "é personalismo", "e vaidade", "é invigilância"; tais peças da "inquisição ética" infelizmente s ão utilizadas como processo de exclusão institucional ou mesmo relacional. A elevadíssima expectativa que nutrimos uns para com os outros, entre espíritas, chega às raias da insensatez. Devemos esperar muito de nós mesmos, e ter sempre acendrada misericórdia para com o outro.

Tal expectativa chega ao ponto de precisar-mos, inclusive, o estado espiritual "post morten" daqueles com quem convivemos ou foram expoentes de nossas lides. Sobre os quais, comumente imputa-se excessivo rigor acerca de como se encontram na vida dos espíritos, face a alguns deslizes cometidos por tais corações quando na experiência carnal. Sejam graves ou não esses desatinos do comportamento alheio, é preciso destacar que o critério de maior influência na erraticidade ainda é e s empre será a consciência, acrescido da interferência protetora e educativa dos avalistas das reencarnações. Em conhecendo a “ficha espiritual dos milênios”, de seus tutelados, têm eles plena e competente capacidade para ajuizar sobre os destinos futuros. E não esqueçamos que, como “instrumentos da misericórdia”, tais tutores do bem só ajuízam sobre a recém-finda vivência de seu tutelado considerando o somatório de suas existências, sem jamais se fixarem nas infelizes decisões que tenha tomado ao longo de apenas uma etapa.

Para nós que temos acompanhado inúmeros processos de avaliação nessa perspectiva, aqui na vida espiritual, podemos vos afiançar que a carga de expectativas que os irmãos de ideal no plano físico co locam nos julgamentos uns sobre os outros, via de regra, não corresponde ao beneplácito com o qual é tratado cada desencarne de espíritas.A elevada carga de expectativas que têm os companheiros destitui o sábio recurso da sensatez e da indulgência. Enquanto na vida espiritual aqueles que para os homens de veriam ser recebidos com honras quase sempre se encontram na perturbação, aqueloutros, que supondes na infelicidade em razão de suas invigilâncias, comumente contam com o crédito do serviço no bem que realizaram, na amenização de suas faltas, e na garantia de um amparo que os permita experimentar, tão somente, a controlável amargura que terão de suportar pelo bem que podiam fazer e não fizeram...

Essa é uma empreitada decisiva do orgulho que ainda nos mantém reféns ante os novos ideais que esposamos.

Não conseguindo os vôos de amor no campo do afeto que nos possibilitaria a tolerância e a afeição incondicionais, vivemos atrelados aos pesados fardos impostos pelas relações fatigantes uns com os outros, incomodados com a ação alheia, estabelecendo cobranças que supomos justas, sobrecarregando o próprio psiquismo com agastamentos a título de “defesa doutrinária” ou de correção de fatores históricos mal talhados, sob a ótica de nossas avaliações.

Enquanto mantivermos essas sentenças imutáveis penetraremos cada dia mais nas sombras de nós mesmos, revivendo velhos quadros de perseg uição doentia por “amor a Deus”!!!

Quem cultiva a autenticidade e guarda a consciência tranqüila deve sempre recorrer ao diálogo, ao perdão, ao estudo atento dos fatos objetivando fazer melhores juízos de tudo e de todos, buscando penetrar na essência das experiências da convivência e, sobretudo, sempre advogando o bem e a concordância no trabalho digno e renovador, evitando as ciladas do orgulho humano a nos conduzir ao império do autoritarismo e da tirania.

Jesus poderia ter estabelecido a verdade para Pilatos, mas não o fez. Decretaria Ele na ocasião algo que competia ao governador descobrir por si mesmo. Certamente o Mestre sabia que pouco adiantaria julgar Pilatos em se ntença recriminativa de qualquer natureza moral, porque ele não aceitaria e tudo permaneceria do mesmo modo.

Abstendo-se de ajuizar com o séqüito romano, Jesus ensina-nos a evitar a promoção de vínculos sutis desgastantes, que sempre passam a existir quando decidimos, com nossa suposta autoridade, sentenciar com maus sentimentos a vida além da nossa, roubando a própria paz interior.

Razão pela qual, com o brilhantismo de sempre, Allan Kardec destacou, conforme nossa referência em estudo: “Já vimos de quanta importância é a uniformidade de sentimentos para a obtenção de bons resultados” - O Livro dos Médiuns - cap, 29 - Ítem 335


Amor e Paixão

A jovem pergunta:
– Chico, amor é sinônimo de paixão?
– Ah! minha filha, amor é comidinha fresca, roupa lavada e passada, mamadeira prontinha… Paixão é como o Joelma, pega fogo e acaba tudo!
Com a simplicidade e a jovialidade dos sábios, o médium estabelece diferenças fundamentais entre esses dois substantivos, equivocadamente tomados à conta de sinônimos.
A paixão situa-se nos domínios do instinto, busca apenas a auto-afirmação, o prazer a qualquer preço, sem preocupações além da hora presente.
Estribando-se no desejo de comunhão sexual, a paixão é fogo arrebatador, que obscurece a razão e leva ao desatino, deixando, depois, apenas cinzas, como aconteceu com o Edifício Joelma.
George Bernard Shaw, com a irreverência que o caracterizava, dizia:

Não há diferença entre um sábio e um tolo, quando estão apaixonados.


***

O apaixonado ama como quem aprecia um doce.
Deleita-se!
É saboroso! Satisfaz o paladar!
Por isso logo deixa de amar, atendendo a várias razões:

• Saciou-se.

• Enjoou.

• Deseja novos sabores.

A partir daí, há campo aberto para o adultério e a separação, sem que a pessoa tome consciência do mal que causa ao parceiro e, principalmente, à prole, quando há filhos.
Enquanto perdura a paixão, podem ocorrer problemas mais graves e comprometedores:

• Crimes.
Bárbaros assassinatos são cometidos por amantes que se sentem traídos e negligenciados ou que foram abandonados. Perdendo o domínio sobre o parceiro, tratam de eliminá-lo, como quem joga fora um doce que azedou.

• Maus tratos.
É característica masculina, própria de machistas incorrigíveis, sempre dispostos a agredir para impor sua vontade, com o que apenas conturbam a relação, matando a afetividade na parceira.

• Suicídio.
Uma das causas mais comuns dessa ação nefasta, que precipita o indivíduo em sofrimentos inenarráveis no Mundo Espiritual, é a paixão contrariada. O sentir-se traído, negligenciado, ou não correspondido.


***

O amor situa-se nos domínios do sentimento.
Sustenta-se numa regra básica: pensar no bem-estar do ser amado, com a consciência de que nossa felicidade está diretamente subordinada a esse empenho.
O amor que mais se aproxima desse ideal é o materno.
A mãe está disposta a todos os sacrifícios em favor do filho, porque o bem dele é o seu próprio bem.
É aquele “espelho em que se mira, admirada, luz que lhe põe nos olhos novo brilho”, conforme o poema famoso de Coelho Neto.
As uniões felizes, os casamentos que se estendem além da morte, ensejando reencontros felizes na Espiritualidade, são aqueles em que os cônjuges revelam maturidade suficiente para mudar de pessoa na conjugação do verbo de suas ações.
Da primeira do singular – eu, para a terceira – ele, permutando cuidados recíprocos, a se exprimirem em carinho e solicitude.
No livro Trovas do Outro Mundo, psicografado por Chico, o Espírito Marcelo Gama encerra o assunto:

De afeições anoto a soma
De todo ensino que há:
Paixão é o bem que se toma,
Amor é o bem que se dá.

Livro Rindo e Refletindo com Chico Xavier


*Artigo retirado do site "Richard Simonetti".


Richard Simonetti

Um dos principais autores espíritas, também orador, coordena o Grupo Amor e Caridade, de Bauru/SP. Conheça a biografia, os livros, vídeos CDs e DVDs publicados. Leia uma série de artigos e acompanhe a agenda de palestras.