domingo, 8 de fevereiro de 2009

Dores excessivas

Reclamas o peso do fardo moral sobre os teus ombros frágeis, olvidando-te de que Deus não sobrecarrega a ninguém em demasia. Sempre confere os sofrimentos necessários de acordo com as resistências de que cada qual dispõe.

Identificas dificuldades onde se manifestam oportunidades de crescimento interior, porque te encontras fatigado pelos testemunhos constantes, esquecendo-te de que a árvore cresce silenciosamente embora tombe com grande ruído.

Acreditas-te vítima de ocorrências desgastantes e contínuas, quando, em realidade, representam condições para o teu avanço espiritual, desde que te candidataste ao empreendimento iluminativo.

Certamente, permanecer fiel ao dever, quando outros o abandonam, ou manter-se confiante nos momentos em que as circunstâncias apresentam-se menos favoráveis, constituem um esforço muito significativo. Entretanto, mede-se o caráter de uma pessoa pelos valores dignificantes que o exornam.

O indivíduo comum, que prefere avançar perdido na massa, na futilidade, desempenhando o papel do imediatista e aproveitador, não enfrenta esse tipo de desafios, nada obstante, experimenta outros conflitos perturbadores, porque ninguém se encontra na Terra em caráter de exceção, como quem realiza uma agradável jornada ao país da fantasia.

Aquele que se ilude com a existência terrena igualmente desperta, cedo ou tarde, sendo convocado aos enfrentamentos do processo da evolução.

Desse modo, acumula experiências libertadoras através dos aparentes insucessos e dos contínuos tributos de luta e de compreensão à existência corporal.

Para onde olhes defrontarás intérminas batalhas pela sobrevivência, pela afirmação dos valores mais nobres, mesmo que nas rudes refregas do instinto em crescimento para a razão.

Nos reinos vegetal e animal, o predador está sempre seguindo sua vítima, que adquire mecanismos de salvação, adaptando-se ao meio ambiente, mudando de forma, ocultando-se.

Embora a vitória da herança atávica para a preservação da vida, sucumbem ante o ser humano, cuja inteligência é aplicada à conquista de instrumentos que lhes superam as habilidades, vencendo-os de contínuo.

Apesar disso, aqueles que sobrevivem mantêm prodigiosamente o milagre da vida em operosidade.

O vendaval ameaça a árvore altaneira, que se dobra para deixá-lo passar, ou sofre-lhe o açoite destruidor, reerguendo-se depois e prosseguindo vitoriosa no mister que lhe foi estabelecido.

O barro submete-se ao oleiro, aceita o aquecimento exagerado e mantém a forma que lhe foi conferida.

O solo é sulcado e sacudido de todos os lados, a fim de proporcionar a germinação das sementes.

Os metais derretem-se, de modo a receberem novas expressões que darão beleza ao mundo.

Tudo é renovação contínua, que decorre dos impositivos da evolução.

* * *

Se perguntares o que sofre a semente no seio abafado da terra, a fim de que possa libertar a vida que nela jaz adormecida, e se ela pudesse, responderia que o medo, a angústia e a opressão fazem parte de todas as suas horas até o momento em que as vergônteas recebem a luz do Sol e atingem o objetivo a que se destinam.

Se indagares ao triunfador como lhe foi possível alcançar o pódio da vitória, ele te narrará inúmeros sofrimentos que nunca experimentaste, mas que foram superados com alegria, considerando a meta para onde dirige os passos.

Se inquirisses o Sol como pode manter a corte de astros à sua volta, e ele dispusesse de meios de explicar-te, contestaria que transforma a sua massa em energia constante, gastando a média de quatrocentos e vinte milhões de toneladas por segundo.

Em toda parte o esforço enfrenta a luta, que se impõe como necessidade de transformações e de progresso.

Quem se nega ao esforço permanece na paralisia, e aquele que foge à batalha de crescimento, asfixia-se na inutilidade.

Não te aflijas, portanto, pelos enfrentamentos necessários, jamais superestimando as ocorrências que te parecem afligentes.

Sempre existirá alguém mais sobrecarregado do que tu. Porque não se queixa e não lhe conheces o fadário, tens a impressão de que as tuas são dores únicas e mais volumosas do que as de todos.

Há muitos corações crucificados que desfilam pelos teus caminhos e ignoras completamente o que lhes acontece.

Este, no qual te encontras, é um mundo de provas e expiações, portanto, hospital de almas, oficina de reparos, escola de aperfeiçoamento.

É natural que isso ocorra, porquanto será graças a esses fenômenos, nem sempre agradáveis, que alcançarás as estrelas.

Quem poderia imaginar que o Rei Solar tivesse de sofrer tanto, a fim de afirmar o Seu amor por nós?

Se Ele, que é todo amor e misericórdia, pureza e perdão, aceitou de boamente os testemunhos pavorosos para nos demonstrar a Sua grandeza, qual será a quota reservada a cada Espírito que transita na retaguarda a fim de conseguir o seu triunfo durante o seu processo de enriquecimento?

Não reclames, pois, nem te consideres abandonado pela sorte.

Colhes hoje o que semeaste há muito tempo.

Faculta-te agora uma semeadura diferente em relação ao futuro, de maneira que te libertes das dores excruciantes deste momento, auferindo alegrias e bênçãos jamais imaginadas.

Aquieta, desse modo, as objurgações infelizes, o coração intranqüilo, superando o pessimismo e a amargura, e poderás enxergar melhor os acontecimentos que te envolvem, graças aos quais alcançarás a plenitude.

Assim, não te permitas autocomiseração, nem conflito perverso de qualquer natureza, entregando-te a Jesus e nEle confiando de forma irrestrita e terminante, pois que Ele cuidará de ti.

* * *

A tua atual existência está programada para o êxito. Não mais tombarás nas sombras de onde procedes, se insistires por banhar-te com a clara luminosidade do amor de Deus.

Reflexiona melhor e com mais maturidade, de maneira que constatarás alegrias e bem-estar pelo teu caminho, nada obstante algumas dificuldades naturais que todos devem enfrentar.

Alegra-te por seres incompreendido, por estares no campo de elevação entre dissabores, porque a compensação divina é sempre o resultado do grau de esforço desenvolvido pelo ser humano durante a trajetória de elevação.

Joanna de Ângelis


Página psicografada pelo médium Divaldo P. Franco,

na noite de 18 de maio de 2004, em Berlim, Alemanha.
Em 04.02.2008.

Só pelo amor


Se você quiser alcançar a ventura profunda que deixa em festa a alma, se desejar chegar às fontes da luz que forja a alegria verdadeira, e se almeja culminar os seus tempos terrestres sob o manto leve de trabalhador dedicado, desenvolvendo paz no íntimo, pela glória de viver dignamente, precisará conscientizar-se da grandeza do amor.

Se você busca algum caminho para fazer dos seus passos atitudes firmes, seguras, tornando-se útil aos dois mundos, o físico e o espiritual, que demonstram os níveis variados da exuberante vida, saiba que a mediunidade, com a vitoriosa orientação de Jesus, lhe dará a mais oportuna opção.

Entretanto, caso você apele para a mediunidade, sem estar atento à magnitude do seu exercício, ou se não se importar com a seriedade desse trabalho, uma vez que do mundo corporal o médium penetra as vibrações do mundo dos Espíritos, terá perdido importantes ocasiões para tratar de si mesmo, por meio da prática do amor.

É indiscutível que somos todos mais ou menos médiuns, em virtude da capacidade da teletransmissão do pensamento. Somos aptos a, igualmente, captar pensamentos de tantos quantos pensam no mundo, estejam encarnados ou desencarnados os pensantes.

A condição do nosso íntimo é que determinará a nossa posição psíquica e a possibilidade de nos sintonizar com esse ou com aquele tipo de pensamentos, desse ou daquele ser espiritual.

É notório que, se houver a luz do amor a orientar essa faculdade, ainda quando o médium atenda as almas sofredoras, estará imerso nos fluidos dos seres felizes, enobrecidos, representantes do bem junto à criatura da Terra.

O amor é, por fim, a grande chave do êxito, da oportunidade de fazer-nos úteis a tanta gente. O amor, que significa a luz de Deus em cada um de Seus filhos, espalha-se sobre o nosso planeta, para tornar felizes todos nós. Só o amor é capaz de derramar-se através do mundo e fazer feliz a todo aquele que aspira por tornar-se uma alma amorosa, espalhando seus sentimentos de amorosidade para quem o cerque.

É no amor que todo médium achará o próprio Jesus a nortear sua existência tornada útil, por meio dos mensageiros que atuam em Seu nome. Que não nos esqueçamos disso, e que nos apliquemos nos esforços e trabalhos redentores.

Ao assumirmos, com honestidade, o mandato mediúnico, façamo-lo com muita verdade e com devotamento, mas, fundamentalmente, com amor intenso, a fim de que não se percam as conexões das nossas mentes com a Mente Sublime das Regiões de Luz, que sobrepairam o mundo.

A mediunidade com Jesus é mediunidade com amor, sempre.

Maria Martins.



Mensagem psicografada por Raul Teixeira, em 27.5.2006, no Instituto de Cultura Espírita de Itabuna, Itabuna-BA.

Vida e Valores (Espiritismo e espiritualismo)


Existem na vida da gente situações as mais importantes, que precisam ser observadas sempre. Dentre elas, está a nossa crença.

Todas as criaturas humanas têm a sua crença. Independentemente de que seja uma crença religiosa, uma crença filosófica, uma crença esportiva, a crença na humanidade. Todos temos uma crença.

Mas, vamos nos situar no universo da crença religiosa. As criaturas que são religiosas na Terra, por razões variadas, se multiplicaram em grupos os mais distintos. Em geral, todos esses grupos acreditam na existência de um Criador para a vida. Na existência de Deus. Todos esses grupos admitem que, independente de Deus, também podem acreditar na existência das criaturas Divinas, das criaturas de Deus, os seres espirituais.

Em alguns grupos de crença de fé, esses seres são chamados de almas. Em outros grupos são conhecidos como Espíritos. Dessa maneira, vale a pena pensar o quanto se distribui na humanidade em termos de crença. Quanta crença existe na humanidade.

Existem aqueles que admitem que o indivíduo, quando nasce, tenha a alma forjada na hora em que o corpo vai nascer. Para cada corpo novo, a Divindade cria uma alma - a doutrina dogmatista.

Mas há aqueles outros que crêem que a alma existe desde todo o sempre, criada por Deus e que, quando o corpo nasce, a alma não está sendo criada junto com o seu nascimento. É uma alma velha que passa a habitar um corpo novo.

As mais variadas doutrinas espiritualistas admitem que haja uma alma habitante do corpo físico, de um corpo humano como é o nosso.

Naturalmente, nós poderíamos perguntar se, no reino animal também poderíamos pensar em uma alma para cada animal. Sim, podemos. Só que, como os animais fazem parte do reino dos seres irracionais, costumamos chamar de princípios espirituais ou de espíritos que se ensaiam para a vida humana.

Sem que nos importemos com essa classificação nos reinos inferiores ao reino humano, dentro das classificações espirituais que os religiosos dão, verificamos que cada grupo religioso tem a sua gama de interpretações.

O que distingue as diversas crenças espiritualistas são as suas interpretações. E quando dizemos espiritualistas, queremos afirmar que todas as crenças que admitem que, além da matéria existe um ser espiritual, uma alma ou alguém que escapa ao fenômeno da morte, essa crença será chamada de espiritualista. Esse indivíduo que sobrevive à morte do corpo é tido como um Espírito, uma alma ou que nome outro se lhe deseje dar.

Dessa maneira então, nós acreditamos em Deus, na Sua existência como criador não criado de todo o Universo, cujos nomes variam de povo para povo, de cultura para cultura e não nos importe se Deus seja chamado assim, como nós O chamamos, Deus; se seja chamado de Alá, de Yavé, de Natura Naturans. Não nos importará o nome pelo qual Deus seja chamado, desde que essa entidade, que tudo tenha criado, seja de fato concebida por nós, entendida por nós, como sendo o Criador de tudo. Esse Criador de tudo será o nosso Deus.

Desse modo, crer em Deus, crer na existência de seres espirituais, de almas, caracteriza o espiritualismo. Todas as religiões são por isso mesmo espiritualistas. Desse modo, não temos porque ter preconceitos uns contra outros, se todos admitimos a existência do Criador e, como conseqüência dessa existência, os Seus seres, as Suas criações humanas, as Suas criações espirituais.

Então, aqueles que são católicos romanos, protestantes, evangélicos, reformados, budistas, taoístas, espiritistas, umbandistas, candomblezistas, judeus, islâmicos, todos são espiritualistas. Vale a pena pensar nisso, para que vejamos que há muito mais coisas em comum entre nós do que imaginamos.

* * *

Quando falamos que temos muito mais pontos em contato do que possa parecer, é verdade. É mais sério do que nós pensamos.

Às vezes, ficamos a refletir por que é que os religiosos têm o costume de brigar, desde todos os tempos da humanidade. Desde que se formaram dois grupos de interpretações diferentes e que foram chamados de crenças, de religiões, etc... já estão os grupos a se engalfinhar. E isso demonstra quão pequena é a maturidade das criaturas humanas que nós formamos.

Nós estamos falando de Deus, o Autor não criado de todas as autorias, o Criador não criado de todas as criações, nada obstante não conseguimos captar a Sua grandeza ainda. Estamos disputando território, estamos disputando terreno com aqueles que interpretam a existência desse Criador de maneira diferente da nossa.

Imaginemos se, diante de um daltônico, que olhasse uma cor vermelha e jurasse que era verde, se nós nos engalfinhássemos com ele. Teremos que perceber, que saber, que ele é daltônico, e onde ele vê verde, nós estamos vendo vermelho ou vice-versa, ou outras correlações que possam ser feitas pelo daltônico. Desse modo, não há nenhum sentido em vermos religiosos se engalfinhando.

Pelo mundo afora encontramos as guerras, verdadeiras guerras entre aqueles que acreditam em Alá e aqueles que acreditam em Jeová; os que acreditam em Deus, os que acreditam em Alá. Desse modo, onde pretendemos chegar com a nossa religião?

O espiritualismo forma a generalidade da nossa crença. Todas as crenças religiosas são espiritualistas mas, dentre essas crenças espiritualistas, no século XIX, apareceu em Paris uma delas, que passou a ser chamada Espiritismo.

No dia 18 de abril de 1857, foi publicado um livro notável, no Palais Royal, na antiga Galérie d’ Orléans, intitulado: O Livro dos Espíritos. Vinha assinado por um autor até então desconhecido. Esse autor era Allan Kardec.

Mais tarde pudemos saber que Allan Kardec era um pseudônimo de um notabilíssimo professor francês chamado Hippolyte Léon Denizard Rivail, nascido em Lyon, criado na Suíça Francesa, na cidade de Yverdon-les-Bains e discípulo de um dos mais notáveis pedagogos de todos os tempos na Europa, que foi o notável Johann Heinrich Pestalozzi. Pestalozzi, que todos os professores conhecem.

Ora, esse Allan Kardec trouxe-nos organizadamente os princípios espiritualistas que vieram formar o que se convencionou chamar, com ele, de Espiritismo.

Muita gente tem medo da palavra, mas é uma palavra como outra qualquer, criada exatamente para afirmar que é a Doutrina dos Espíritos. Ismo, significando Doutrina. Dos Espíritos. Como falamos em materialismo - doutrina da matéria. Taoísmo - a doutrina do Tao.

Desse modo, o Espiritismo trazia nos seus pontos fundamentais algo muito importante para nós que estudamos o espiritualismo.

Apresenta o Espiritismo cinco pontos fundamentais, a saber: a existência de Deus. Muita gente pergunta, ou se pergunta, se os espiritistas acreditam em Deus. Ora, se o seu primeiro fundamento, o primeiro fundamento da Doutrina dos Espíritos é a existência de Deus, natural é refletir que os espiritistas admitem a existência de Deus.

Não apenas acreditam nela, mas têm uma certeza da existência desse Criador não criado, dessa Inteligência Suprema do Universo.

E essa visão espiritista de Deus é uma visão que todas as religiões podem assimilar. Por quê? Porque Deus sendo a Inteligência Suprema do Universo, qual é a religião que fala diferentemente disso? Qual é a religião que fala contrariamente a isso?

Dessa maneira, nós podemos bem aquilatar o quanto é importante a existência de Deus. Porque é o fundamento de todos os fundamentos.

Daí nasce o segundo princípio da Doutrina Espírita, que é a existência e a imortalidade da alma. Todos nós somos existentes, mas também somos imortais. O fato de sermos imortais é algo importantíssimo, no contexto das nossas vidas. Morremos, mas não desaparecemos com a morte.

Ao lado disso, chegamos ao terceiro princípio da Doutrina Espírita, a pluralidade das existências. Somos imortais, e temos que evoluir ao infinito como propôs Jesus Cristo, dizendo o Mestre, que deveríamos ser perfeitos como perfeito é nosso Pai Celestial. Esse direcionamento que Cristo nos aponta é para que saibamos que precisamos evoluir. A pluralidade das existências é a estância que nos permite galgar esse progresso.

Ao lado disso, a pluralidade dos mundos habitados, mostrando que não é somente o nosso planeta o único mundo habitado nesse universo inteiro.

E por fim, a comunicabilidade dos Espíritos. Daí, vemos como é importante sermos espiritualistas. E a Doutrina dos Espíritos é uma digna representante do espiritualismo universal.



Transcrição do Programa Vida e Valores, de número 95, apresentado por Raul Teixeira, sob coordenação da Federação Espírita do Paraná. Programa gravado em agosto de 2007. Exibido na CNT, Canal 6, Curitiba e Canal 7, Londrina, no dia 30 de março de 2008.

Em 03.05.2008.

Vida e Valores (A humildade focalizada)

Entre as virtudes, existe uma que é o carro-chefe do progresso, e poucas vezes nos damos conta disto. Essa virtude se chama humildade.

Lamentavelmente, a humildade entrou nesse carreiro de má interpretação, do mesmo modo que as pessoas interpretam mal o amor, a paz, caridade, fraternidade. Costuma-se imaginar que elas sejam quaisquer coisas, menos aquilo que de fato elas são. A humildade não escapou desse trajeto da má interpretação.

Para muita gente, ser humilde é ser covarde, é a tibieza, é a timidez.

Mas, a humildade não tem nenhum compromisso com a covardia, nem com a tibieza, nem com a timidez. Pelo contrário, a humildade é uma virtude pró-ativa, é também uma virtude ativa.

A criatura humilde não é aquela que fica esperando cair do céu, quieta, parada, que não fala, que não reclama, que não chama atenção, que não se levanta. Não. A humildade, não. A humildade é exatamente aquela que esclarece, que orienta, que ilumina, que diz sim, que diz não, sem faltar com a verdade, sem faltar com o amor.

A humildade é exatamente a trilha sobre a qual o amor se move. Ninguém consegue amar se não for humilde.

É importante pensar nisso, quando nos lembramos que a natureza nos dá exemplos notáveis dessa virtude. Basta vermos como é que o sol trata o pântano. Para qualquer pessoa à margem desse lamaçal, o pântano não passaria de um fétido, de um charco mal cheiroso. Mas o sol beija o charco, beija o pântano, drena-o e permite que sobre ele nasçam flores. Permite que sobre ele caminhem os homens.É a humildade. Ele não se preocupa se ali era lama, ele se ocupa em atender.

Percebemos que a água, medicinal por si mesma, a água pura que nos dessedenta, que dessedenta os animais, que dessedenta os vegetais, teve que atravessar as camadas mais rústicas de pedra, o filtro das pedras, para tornar-se útil, depois que atravessasse a dificuldade.

Jamais alegaria cansaço, jamais atiraria no rosto de quem a absorve, dos homens, dos animais, das plantas, o seu cansaço, o seu desgaste.

Para chegar aqui, eu tive que atravessar as camadas de pedra. Para atendê-los, eu tive que sofrer isso, ou aquilo.

As águas, não. Onde elas estão, cantarolam, refrescam, hidratam, e ninguém sabe das suas lutas para chegar até ali, para chegar à nossa mesa.

Encontramos, depois do temporal que revirou a terra, que revolveu o solo, depois que a calmaria chega, novamente os vegetais crescerem sobre tudo que sobrou.

É bonito ver a natureza mostrando essa capacidade da humildade.

Como eu vou produzir sobre dejetos? Como eu vou iluminar o lamaçal? Mas por que eu tenho que servir às pessoas depois de ter enfrentado tantas dificuldades?

O sol sobre o charco, a água vazando os minerais, as pedras, as rochas; e o vegetal crescendo sobre os escombros deixados pelo aguaceiro, pela chuva, pelos temporais.

É tão importante saber que a humildade tem essa característica de servir, mas não de calar. De servir, mas não de se omitir.

A humildade é que fez com que nós conhecêssemos pelo mundo afora, a saga de homens notáveis como Martin Luter King Jr., nos Estados Unidos, o negro que não se conformava com o apartheid social norte-americano.

Em nome da sua humildade fez uma campanha, uma marcha sobre o Estado onde está a capital do país: a marcha sobre Washington, distrito de Colúmbia.

Para falar ao país, juntou os negros, os brancos, os amarelos, todos quantos viviam na América, incomodados com aquela situação do preconceito racial.

É claro que pagou com a vida a sua humildade, mas a partir disso, o preconceito racial caiu nos Estados Unidos. Nova legislação se levantou e o único negro que tem um dia oficial nos Estados Unidos, feriado nacional, é Martin Luter King Jr.

* * *

A partir de Martin Luter King Jr., com essa movimentação nos Estados Unidos, se pôde pensar num gesto de humildade e de grandeza.

Se pensarmos bem sobre isto, aquelas pessoas que tentam passar uma imagem de que são humildes, costumam ser muito orgulhosas. Aquelas que têm orgulho da própria humildade, porque Jesus Cristo é o ponto máximo da humildade na Terra, é o grande estro da humildade.

Mas Ele não Se omitiu, não mentiu, não fugiu. Pelo contrário, por Seu amor à verdade, na hora em que os soldados chegaram, no Monte das Oliveiras, para prendê-Lo, antes que Judas Lhe desferisse o beijo, os soldados perguntaram por Ele e Ele indagou:

A quem procurais?

A Jesus de Nazaré.

Aqui o tendes, eu o sou.

Ninguém faria isto. Normalmente, a criatura humana trataria de esgueirar-se, de fugir, de desaparecer dali.

Mas a humildade de Jesus Cristo não permitia que o fizesse. Porque a humildade é uma virtude corajosa. Ela sabe que nada pode empanar a verdade. Então, é uma virtude corajosa.

Em outros momentos: Vós me chamais Mestre e Senhor e dizei-o bem, porque eu o sou.

Quantas são as pessoas, entre nós, que ficam querendo fugir das palavras elogiosas, das palavras enaltecedoras, embora gostando delas?

Se fazemos um elogio por um prato bem feito - Quem sou eu? Não sou ninguém. Não fui eu. Longe de mim.

Bastaria à pessoa, se fosse de fato humilde, agradecer:

Muito obrigado, que bom que você gostou. Fiz para você gostar.

Isso é um gesto de humildade.

Qual é a cozinheira que cozinha para que ninguém goste da sua comida? Qual a costureira que costura para que ninguém goste do seu produto? Qual é o agricultor que planta, que colhe para que ninguém compre seus produtos?

Então, quando eles começam a retirar o corpo fora, é um gesto de falsidade. Eles estão gostando dos elogios, bastaria agradecer.

E se a pessoa disser-nos alguma coisa que a gente ainda de fato não é, o elogio se tornará um incentivo para que persigamos aquela virtude e não carreguemos o peso de um elogio vazio. A humildade tem essas características.

Quem é responsável por este material?

Sou eu.

Quem foi que fez esse quadro lindo?

Fui eu.

E, se a pessoa nos cobrir de elogios, e nós saibamos que não é tanto assim, aprendamos com os Imortais a dedicar a Jesus Cristo todos os aplausos, todos os elogios, todas as palavras entusiásticas, porque é Ele o nosso estro, o nosso Mestre e a nossa inspiração.

A humildade, então, é uma atitude que se tem diante da vida.

Toda criatura que trabalha honestamente para ganhar seu pão diário, é uma pessoa humilde. Se ela não fosse uma pessoa humilde, estaria querendo explorar alguém para ganhar por ela.

Toda criatura que realiza bem o seu mister, que dá conta do seu trabalho, que se preocupa em concluí-lo bem, em agradar a quem o requisitou, é uma pessoa humilde, porque gostaria de que os outros levassem uma boa imagem e gostassem do seu trabalho.

Quantas, quantas foram as vezes em que Jesus Cristo Se manifestou assumindo posições:

Eu sou o médico das almas. Eu sou o caminho, eu sou a verdade, eu sou a vida e ninguém chegará ao Pai, se não for por mim.

Imaginemos se, em nome da humildade, Jesus Cristo Se houvesse omitido: Não, não sou eu o caminho. Não, não sou eu.

Para onde os discípulos iriam? Para quem eles iriam, a quem buscariam?

Por isso, vale a pena na nossa vida assumirmos posições. Mas isso não será indício de vaidade? Não, será indício de verdade. Aquilo que é de nossa responsabilidade, nós assumimos e aquilo que é da responsabilidade do outro, nós dirigimos a outro:

Não, muito obrigado pelo elogio, mas quem fez foi ele. Muito obrigado, mas quem fez foi ela, isso não é obra minha.

Essa é a verdade da humildade. Quem não é humilde costuma apanhar os louros dos outros para si. Está numa equipe em que todos trabalharam e ele assume para ele as glórias, o louro, e não explicita que os seus companheiros participaram.

A humildade - temos que focalizar bem esta virtude, porque ela é o grande dínamo impulsionador do nosso progresso humano.



Transcrição do Programa Vida e Valores, de número 126, apresentado por Raul Teixeira, sob coordenação da Federação Espírita do Paraná. Programa gravado em janeiro de 2008. Exibido pela NET, Canal 20, Curitiba, no dia 19.10.2008.
Em 02.02.2009.

O necessário

"Mas uma só coisa é necessária." - Jesus. (LUCAS, 10:42.)


Terás muitos negócios próximos ou remotos, mas não poderás subtrair-lhes o caráter de lição, porque a morte te descerrará realidades com as quais nem sonhas de leve...

Administrarás interesses vários, entretanto, não poderás controlar todos os ângulos do serviço, de vez que a maldade e a indiferença se insinuam em todas as tarefas, prejudicando o raio de ação de todos os missionários da elevação.

Amealharás enorme fortuna, todavia, ignorarás, por muitos anos, a que região da vida te conduzirá o dinheiro.

Improvisarás pomposos discursos, contudo, desconheces as conseqüências de tuas palavras.

Organizarás grande movimento em derredor de teus passos, no entanto, se não construíres algo dentro deles para o bem legítimo, cansar-te-ás em vão.

Experimentarás muitas dores, mas, se não permaneceres vigilante no aproveitamento da luta, teus dissabores correrão inúteis.

Exaltarás o direito com o verbo indignado e ardoroso, todavia, é provável não estejas senão estimulando a indisciplina e a ociosidade de muitos.

"Uma só coisa é necessária", asseverou o Mestre, em sua lição a Marta, cooperadora dedicada e ativa.

Jesus desejava dizer que, acima de tudo, compete-nos guardar, dentro de nós mesmos, uma atitude adequada, ante os desígnios do Todo-Poderoso, avançando, segundo o roteiro que nos traçou a Divina Lei.

Realizado esse "necessário", cada acontecimento, cada pessoa e cada coisa se ajustarão, a nossos olhos, no lugar que lhes é próprio.

Sem essa posição espiritual de sintonia com o Celeste Instrutor, é muito difícil agir alguém com proveito.



Extraído do cap. 3 do livro Vinha de Luz,
obra psicografada pelo médium Francisco Cândido Xavier e publicada pela Federação Espírita Brasileira.


quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

A TITULO DE ESCLARECIMENTO...

livro

(Prefácio do Livro "Nós e o Mundo Espiritual" - Saara Nousiainen).

"Perdoe-me, leitor amigo, por falar algo sobre a minha experiência religiosa. O mesmo, pelo entusiasmo, mas é impossível falar sobre Doutrina Espírita sem vibrar ao encanto que a envolve, a divina beleza das informações que passa ao mostrar a justiça e sabedoria dos mecanismos que regem a vida e a evolução de tudo.

Meu pai era pastor da Igreja Adventista do Sétimo Dia, na Finlândia, onde nasci e, durante minha infância e adolescência (já no Brasil), tentava entender aqueles conceitos que me apresentavam um Deus, por vezes injusto e cruel, quase sempre irado e nem sempre sabendo o que fazer.

Na verdade estes e outros enfoques encontrados na Bíblia, que é tida como a palavra de Deus, me deixavam perplexa. Perguntava a mim mesma sobre o Porquê de tantas diferenças entre as pessoas, não só em termos de sofrimentos e oportunidades, mas também de temperamento, natureza, grau de inteligência etc... e concluía: se a Bíblia diz que Deus é sábio, Todo-Poderoso, Justo e Bom, não dá para entender porque faz uns nascerem com boa índole, sentimentos de religiosidade, conduta firmada na ética e outros valores, sendo candidatos naturais ao Céu, e outros com má índole, desonestos, agressivos, perversos... perfeitos candidatos ao inferno.

Outra questão que me afligia era a dos escolhidos, pois não conseguia aceitar tamanha parcialidade da parte de Deus ao escolher (dentre os seus filhos) uns para o bem e a felicidade e outros para o mal e o sofrimento, da mesma forma como escolhera o povo israelita para ser o Seu povo, com direito a destruir todos que estivessem em seu caminho, por mais inocentes, puros e dignos que fossem.

Também não conseguia entender como alguém que se diz justo e bom poderia criar seres imperfeitos, com tendências negativas, para depois atirá-los a sofrimentos eternos; arrancar dos braços das mães seus filhos pecadores para lançá-los no inferno. Como essas mães iriam sentir-se no céu, sabendo que aqueles quem mais amam estão nos mais tenebrosos sofrimentos, sem direito a sequer uma nova chance... e tudo isto pela eternidade afora? Isto me parecia uma monstruosidade que jamais poderia ser praticada por um ser superior.

Lendo a Bíblia como fazia desde pequena, percebia inúmeras contradições e absurdos que não tinha coragem de comentar, mas por vezes perguntava a mim mesma quem poderia me garantir ser ela realmente a palavra de Deus? Não seria apenas um livro que narra a história de um povo muito religioso, no Velho Testamento, e a grandiosa história de Jesus, no Novo, com todos os seus ensinamentos, verdadeiro código de ética? Lembrava das passagens do Velho Testamento em que Deus teria mandado os israelitas, ao invadirem alguma nação, matarem tudo o que tivesse vida, menos as virgens, para servirem de "diversão" aos soldados, quando o mesmo Deus, nos 10 mandamentos proibia matar; e quando dizia que Deus habitava nas tendas e se comprazia com o cheiro de sangue dos sacrifícios, e tantas outras semelhantes.

Mas esses questionamentos não arranhavam a fé que eu tinha em Deus, sua justiça, sabedoria e amor, porque tinha a íntima convicção de que havia verdades que um dia conheceria e que iriam conciliar a fé com a razão, com o bom senso.

De fato, quando contava dez ou onze anos, um dos meus irmãos que estudava em São Paulo foi visitar-me no Paraná. Falei-lhe então sobre aqueles questionamentos que me estavam angustiando, ao que respondeu: "Maninha, eu estou estudando o Espiritismo. Ele diz que vivemos muitas vidas e que somos hoje o resultado do que fizemos nas vidas passadas".

Meu Deus!!! Ali estava a resposta, a explicação lógica, límpida e cristalina para tantas contradições, geradoras de tamanhos conflitos. E vibrei de alegria porque entendi, senti que era verdade. Decidi então, que ao ficar adulta, iria estudar o restante dessa doutrina para ver se casava com as idéias que eu tinha sobre a vida, dentro dos critérios de justiça, amor e sabedoria do Criador.

Depois de adulta, casada com um homem que zombava da religião, não havia clima para cumprir a promessa que fizera a mim mesma com relação ao Espiritismo, mas ele veio a nós num momento único em que poderia haver abertura da parte de meu marido e, então, comecei a ler sobre o assunto. Abri o primeiro Livro, O que é o Espiritismo, de Allan Kardec, contendo perguntas e respostas. Li a primeira pergunta e fechei o Livro, dizendo a mim mesma: "Se as coisas são como eu acho que deveriam ser, a resposta deve ser mais ou menos assim..." Reabri e li a resposta, exatamente como eu achara que deveria ser. Procedi da mesma forma até o fim e as respostas sempre se casavam e mesmo superavam de muito o entendimento que eu tinha sobre como deveriam ser os mecanismos da vida e as leis de Deus.

Continuei lendo as demais obras de Kardec e outras de teor científico, tais como Fatos Espíritas, do eminente cientista inglês William Crookes, descobridor, d'entre outras, do tálio, membro da Real Academia de Ciências de Londres, que, depois de quatro anos dedicados à pesquisas dos fatos espíritas, teve de aceitar a realidade, proclamando a seus pares a sua autenticidade desses fatos, dizendo: "Não digo que isso seja possível; afirmo que isso é uma verdade".

De início, as idéias reencarnacionistas me fizeram exultar, ao descobrir como tudo podia ser explicado e entendido racionalmente, dentro dos mais perfeitos conceitos de justiça, sabedoria e amor. Entretanto, o temor a Deus, os castigos divinos, caso aquelas idéias fossem realmente procedentes de Satanás conforme afirmativa de meu pai com toda sua bagagem teológica, deixava-me angustiada. Às vezes um terrível medo de estar cometendo horrendo pecado, queria apoderar-se de mim, mas, quando isto acontecia, dirigia a alma aflita ao Criador, em súplica, e então subia das profundezas do meu espírito uma grandiosa sensação de paz, um maravilhoso estado de bem-estar e a convicção serena, segura e irrefutável, de que aquelas idéias eram verdadeiras, dentro da lógica e sabedoria universais.

Aos poucos uma compreensão maior foi crescendo em mim e, com ela, uma esfuziante alegria ao começar a mudar as antigas idéias sobre um Deus a quem se deve temer, pela convicção de que Ele é realmente sábio, Justo e nos ama, e que, assim, é possível amá-Lo e admirá-Lo intensamente... sem temê-Lo. E, nessa alegria pude perceber como Deus nos fala pelos canais interiores do nosso Espírito, quando não nos encontramos acorrentados a dogmas.

Estudar o Espiritismo e militar nas atividades espíritas representou um caminho de contínuas descobertas, tanto através de leituras, quanto de observações e experiências próprias. E então, aquele sentimento de religiosidade que em mim sempre fora muito forte, pôde finalmente casar-se com a razão, juntando mente e coração, estabelecendo os parâmetros de uma vida mais plena, com paz e harmonia interior".

DOWNLOAD DO LIVRO


segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Reflexão...


Nunca te apóies no pessimismo para deixar de lutar.


O que os outros conseguem através do trabalho, obterás também, se tiveres paciência e perseverança.


Não pretendas iniciar a vida por onde os outros a estão concluindo.


O êxito depende de muitas tentativas que não deram certo.


O fracasso sempre ensina o modo como não se devem fazer as coisas.


Insite no teu serviço com otimismo e avança com vagar na direção da tua vitória. Cada dia vencido são vinte e quatro horas que ganhaste.


"Vida Feliz" Divaldo P.Franco - Joana de Ângeles