segunda-feira, 5 de julho de 2010

Não merecem

Guarde-se do mal e defenda-se dele com a realização do bem operante. O mal não merece consideração.
Há muito que fazer, valorizando a oportunidade de serviço que surge inesperada.
A intriga não merece a atenção dos seus ouvidos.
A injúria não merece o respeito da sua preocupação.
A ingratidão não merece o zelo da sua aflição.
O ultraje não merece o seu revide verbalista.
A mentira não merece a interrupção das suas nobres tarefas.
A exasperação não merece o seu sofrimento.
A perseguição gratuita não merece a sua solicitude.
A maledicência não merece o alto-falante da sua garganta.
A inveja não merece o tempo de que você necessita para o trabalho nobre.

Os maus não merecem a sua inquietação.
Entregue-os ao tempo benfazejo.

Abra os braços ao dever, firme-se no solo do serviço, abrace-se à cruz da responsabilidade, recordando o madeiro onde expirou o Cristo e, em perfeita magnitude, desafie a fúria do mal.
O lídimo cristão é fiel servidor.

Você tem somente um amo a quem prestará contas: Jesus!

Preocupado com o que deve fazer, não pare a escutar os que não têm o que fazer ou nada querem fazer.
Transformando-se em antena viva da inspiração superior, registre o ensinamento evangélico do amor, no coração, viva-o na ação e prossiga sem medo.

Você sabe que em toda seara existem abelhas diligentes e marimbondos destruidores. Também, não ignora “que os maus por si mesmos se destroem”, como afirma a sabedoria popular.

Identifique no obstáculo o ensejo iluminativo e não se detenha.

Por essa razão, enquanto a ventania açoita, guarde a sua fé robusta e, sem dar atenção ao mal, esteja acautelado, porque, não descendo às ondas mentais dos maus, você paira inatingível nas vibrações superiores das Altas Potências da Vida. Doe amor e, assim, faça o bem, para que não venha “a responder por todo mal que haja resultado de não haver praticado o bem”.

Autor: Marco Prisco (espírito)
Psicografia de Divaldo Franco. Livro Legado Kardequiano

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Momento de Reflexão - Saberes diferentes

 

Narra-se que, num largo rio, de difícil travessia, havia um barqueiro que atravessava as pessoas de um lado para outro.

Em uma das viagens, iam um advogado e uma professora.

Como quem gosta de falar muito e com ar altivo, o advogado pergunta ao barqueiro:

Companheiro, você entende de leis?

Não. Responde o barqueiro.

E o advogado compadecido acrescenta:

É pena... Você perdeu metade de sua vida!

A professora, então, muito social, adentra na conversa:

Seu barqueiro, você sabe ler e escrever?

Também não. Responde o remador.

Que pena! – condói-se a mestra. Você perdeu metade de sua vida!

Nisso, uma onda muito forte vira o barco

O canoeiro, preocupado, pergunta:

Vocês dois sabem nadar?

Não! Responderam eles rapidamente, em conjunto.

Então é pena! – conclui o barqueiro – vocês perderam toda sua vida!

* * *

O texto do educador Paulo Freire mostra, com bom humor e profundidade, que não há saber maior ou saber menor, apenas saberes diferentes.

Todos somos importantes e sempre temos algo a contribuir para com a sociedade.

Cada um com suas habilidades, na sua área de conhecimento específico, fazemos parte de uma grande engrenagem, tanto na Terra, como no Cosmos.

Para que essa engrenagem funcione bem, os dentes precisam estar bem encaixados, uns oferecendo, outros recebendo e vice-versa.

Juntos formamos um organismo completo, onde as pequenas e importantes peças, sempre solidárias entre si, complementam-se, preenchendo as deficiências umas das outras.

A Lei maior do progresso dita que todos, um dia, saberemos tudo sobre tudo. Porém, neste longo caminho a ser trilhado, vamos adquirindo tais conhecimentos gradualmente.

A Sabedoria Divina, sempre fabulosa, faz com que tenhamos uma interdependência entre nós, para que nos ajudemos mutuamente e não nos isolemos.

Desta forma as sociedades precisam dos advogados, das professoras, dos médicos. Mas também carecem dos barqueiros, dos garis, dos músicos, etc.

É nisto que está a beleza da vida, das habilidades que se complementam e se auxiliam para que todos possam não só viver, mas bem viver.

* * *

Nunca desmereça os serviços aparentemente simples e maquinais.

Os trabalhos manuais enriquecem a alma, da mesma forma que aqueles que exigem muitos conhecimentos.

Cada um deve servir com suas forças, com aquilo que tem de melhor. Nossas diferenças nos enriquecem, nos fazem aprender uns com os outros em toda ocasião.

Aproveitemos as oportunidades de aprender com o diferente, construindo no íntimo as virtudes da humildade e do respeito.

Viva a diferença que pode conviver em harmonia!

Fonte: Redação do Momento Espírita, com

base no texto A canoa, de Paulo Freire.

PERDOAR E ESQUECER

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Perdoar e esquecer são as duas chaves da paz.

Se o seu carinho não encontra eco na paisagem ambiente, desculpe e olvide a indiferença do meio e avancemos para diante, ao encontro de nossas realizações.

Se o seu trabalho não consegue a retribuição dos que lhe seguem os passos no grande caminho, perdoe e esqueça, a fim de que a sua boa vontade frutifique em alegria e progresso.

Se o seu sacrifício não recolhe a compreensão dos outros, desculpe e olvide, perseverando no bem, porque o bem situar-lhe-á o espírito na vanguarda de luz.

Perdoar é o segredo sublime do triunfo na subida para Deus; e esquecer o mal é harmonizar nossa alma com as criaturas, habilitando-nos à solução de todos os problemas.

Desprendamo-nos de tudo aquilo que na Terra constitua prisão para nossa alma, perdoando e esquecendo sempre, e encontraremos o caminho interior da Grande Ascensão.

(De: “Relicário de Luz”, de Francisco Cândido Xavier – Espíritos Diversos)

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Teu lugar na vida

“... Quando fordes convidados para bodas, não tomeis nelas o primeiro lugar, temendo que se encontre entre os convi­dados uma pessoa mais considerada que vós, e que aquele que vos tiver convidado não venha vos dizer: Dai vosso lugar a este...”

“... todo aquele que se eleva será rebaixado, e todo aquele que se rebaixa será elevado.”

(Capítulo 7, item 5.)

 

Querendo ilustrar suas prédicas, como sempre de modo claro e compreensível, Jesus de Nazaré considerava, certa oca­sião, como os convidados de uma festividade se comportavam precipitadamente, na ânsia de tomar os lugares principais da mesa, com isso desrespeitando os princípios básicos do bom senso e da educação.

Qual o teu lugar à mesa? Qual a tua posição no universo de ti mesmo? Essa a grande proposta feita pelo Mestre nesta parábola.

Será que o lugar que ocupas hoje é teu mesmo? Ou influên­cias externas te levam a direções antagônicas de acordo com o teu modo de pensar e agir?

Tens escutado a voz da alma, que é Deus em ti, ou escan­carado teus ouvidos às opiniões e conceitos dos outros?

Nada pior do que te sentires deslocado na escola, profis­são, circulo social ou mesmo entre familiares, porque deixas parentes, amigos, cônjuges e companheiros pensarem por ti, não permitindo que Deus fale contigo pelas vias inspirativas da alma.

Essa inadaptação que sentes é fruto de teu deslocamento íntimo por não acreditares em tuas potencialidades. Achas-te incapaz, não por seres realmente, mas porque te fazes surdo às tuas escolhas e preferências oriundas de tua própria essência.

Se permaneceres nesse comportamento volúvel, apontan­do freqüentemente os outros como responsáveis pela tua inade­quação e conflitos, porque não assumes que és uma folha ao vento entre as vontades alheias, te sentirás sempre um solitário, ainda que rodeado por uma multidão.

Porém, se não mais negares sistematicamente que tuas ações são, quase na totalidade, frutos do consenso que fizeste do somatório de conselhos e palpites vários, estarás sendo, a partir desse instante, convidado a sentar no teu real lugar, na mesa da existência.

Por fim, perceberás com maior nitidez quem é que está mo­vimentando tuas decisões e o quanto de participação tens nas tuas opções vivenciais.

No exame da máxima “todo aquele que se eleva será rebaixado e todo aquele que se rebaixa será elevado”, vale consi­derar que não é a postura de se “dar ares” de humildade ou a de se rebaixar de forma exagerada e humilhante que te poderá levar àconscientização plena da tua localização dentro de ti mesmo. Sintonizando-te na verdadeira essência da humildade, que é conceituada como “olhar as coisas como elas são realmente”, e perce­bendo que a tua existência é responsabilidade unicamente tua, é que tu serás tu mesmo.

Ser humilde é auscultar a origem real das coisas, não com os olhos da ilusão, mas com os da realidade, despojando-se da imaginação fantasiosa de uma ótica mental distorcida, nascida naqueles que sempre acham que merecem os “melhores lugares” em tudo.

Vale considerar que, por não estarmos realizando um constante exercício de auto-observação, quase sempre deduzimos ou captamos a realidade até certo ponto e depois concluímos o restante a nosso bel-prazer, criando assim ilusões e expectativas desgastantes que nos descentralizam de nossos objetivos.

Quem encontrou o seu lugar respeita invariavelmente o lugar dos outros, pois divisa a própria fronteira e, conseqüente­mente, não ultrapassa o limite dos outros, colocando na prática o “amor ao próximo”.

Para que encontres o teu lugar, é necessário que tenhas uma “simplicidade lúcida”, e o despojar dos teus enganos e fanta­sias fará com que encontres a autêntica humildade.

Para que não tenhas que ceder teu lugar a outro, é indis­pensável que vejas as coisas como elas são realmente e que uses o bom senso como ponto de referência para o teu aprimoramento e para a tua percepção da verdade como um todo. Procura-te em ti mesmo: eis a possibilidade de sempre achares o lugar que te pertence perante a Vida Excelsa.

Livro: Renovanddo Atitudes

Espírito Hammed. Psicografia de Francisco do Espírito Santo Neto

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Momento de Reflexão - Aparências

APARÊNCIAS

A árvore que produz maus frutos não é boa, e a árvore que produz bons frutos não é má; porque cada árvore se conhece pelo seu próprio fruto. Não se colhem figos dos espinheiros e não se cortam cachos de sobre as sarças..." (Lc 6, 43 - 44)

Anulamos qualquer emoção que julgamos ser inconveniente dizendo para nós mesmos: "eu nunca sinto raiva", "nunca guardo mágoa de ninguém", vestindo assim, uma aparência de falsa humildade e compreensão.

Máscaras fazem parte de nossa existência, porque todos nós não somos totalmente bons ou totalmente maus e não podemos fugir de nossas lutas internas. Temos que confrontá-las, porque somente assim é que desbloquearemos nossos conflitos que são as causas que nos mantêm prisioneiros frente à vida.

Devemos nos analisar como realmente somos.

Nossos problemas íntimos, se resolvidos com maturidade, responsabilidade e aceitação são ferramentas facilitadoras para construirmos alicerces mais vigorosos e adquirirmos um maior nível de lucidez e crescimento.

Nunca, porém, mantê-los escondidos de nós próprios, como se fossem coisas hediondas, e sim, aceitarmos essas emoções que emergem do nosso lado escuro, para que possamos nos ver como somos realmente.

Por não admitirmos que evoluir é experimentar choques existenciais e promover um constante estado de transformação interior é que, às vezes, deixamos que os outros decidam quem realmente nós somos, colocando-nos, então, num estado de enorme impotência perante nossas vidas.

A maneira de como os outros nos percebem tem grande influência sobre nós mesmos. Amigos opressores, religiosos fanáticos, pais dominadores e cônjuges inflexíveis podem ter exercido muita influência sobre nossas aptidões e até sobre nossa personalidade.

Portanto, não nos façamos de superiores, aparentando comportamentos de "perfeição apressada": isso não nos fará bem psiquicamente e nem ao menos nos dará chance de fazermos autoburilamento.

Deixemos de falsas aparências e analisemos nossas emoções e sentimentos, burilando-os e canalizando nossas energias, fazendo delas uma catarse dos fluxos negativos e transmutando-as a fim de integrá-las adequadamente.

Aceitar nossa porção amarga é o primeiro passo para a transformação, e nunca fugirmos para novo local,  emprego ou novos afetos, porque isso não nos curará do sabor indesejável, mas somente nos transportará a um novo quadro exterior. Os nossos conflitos não conhecem as divisas da Geografia e, se não encarados de frente e resolvidos, eles nos acompanharão e estarão conosco onde quer que estejamos na Terra.

Para que possamos fazer alquimia das correntes energéticas que circulam em nossa alma, façamos auto-observação e auto-análise de nossa vida interior, sem jamais negá-las a nós mesmos.

Lembremo-nos que, por mais que se esforcem as más árvores para parecerem boas, mesmo assim elas não produzirão bons frutos. Também os homens serão reconhecidos, não pelos aparentes "frutos", não por manifestarem atos e atitudes mascarados de virtudes, mas sim, por serem criaturas resolvidas interiormente e conscientes de como funciona seu mundo emocional.

Somente pessoas providas dessa atitude estarão aptas a serem árvores produtoras de frutos realmente bons.

(De “Renovando Atitudes”, de Francisco do Espírito Santo Neto – Espírito Hammed)

Paz e Luz

OS QUE ESPERAM

 

Falas de beneficência, com a certeza de que voltarás à própria casa, onde dispões do mundo que construíste: O lar em que os entes amados te prepararam a festa do carinho. O ambiente seguro, o farnel da noite, a presença de alguém que te enderece palavras de ternura e o leito pronto para assegurar-te o repouso.

Lembra-te, porém, daqueles que atravessaram o dia, mentalizando o prato que não tiveram; dos que refletiram, em vão, no cobertor que  não apareceu; dos enfermos que sonharam com os medicamentos suscetíveis de aliviá-los e que não lhes chegaram às mãos; dos que se enrolaram, sem perceber, na rede da solidão e se inclinam para a calamidade do suicídio; dos pais que não descansam, procurando o sorriso de um filho que a morte ocultou no silêncio...

***

Lembra-te dos que sofrem sem esperança e estende-lhes a tua migalha de tempo e de amor materializando o que ensinas.

Não hesites.

Segue ao encontro daqueles que esperam por algo ou por alguém que lhes ofereça o auxílio de que disponhas.

Não importa seja o mínimo aquilo que possas dar. A tua xícara de leite ou a tua pétala de esperança estarão abençoadas por Deus.

Da Obra “Agora É O Tempo” – Espírito: Emmanuel – Médium: Francisco Cândido Xavier.

Paz e Luz

quarta-feira, 16 de junho de 2010

HERANÇA DE SI PARA SI

 

A herança legitima se faz de si para si.

Na evolução espiritual, antes de tudo, somos descendentes de nós, antepassados de nossa alma, herdeiros diretos do que fomos.
Vivemos na matéria densa para alcançar o auto-aperfeiçoamento.

No conhecimento de nós próprios todos somos alunos.
Na Terra, ninguém ainda se diplomou na ciência de entender a si. Quando isso acontecer, o Espírito não mais reencarnará neste Globo. Mudará de escola, transferir-se-á de residência, viverá em outro mundo. Aqui temos o nosso curso de aulas onipresentes e estágios incessantes, com tomadas de lição a cada hora.
Há existências de total servidão espiritual. Na base dos fatos, cada qual de nós só se constitui senhor ou escravo, amigo ou adversário, vitima ou verdugo de si mesmo, exclusivamente.
Na grande maioria, por muitas encarnações cada um paradoxalmente só tem escrito, na vida diuturna, o próprio diário abordando atos alheios, esquecido de si, quase sempre.
Reconhecimento e autocrítica são dons nascidos da racionalidade.

Se raciocinamos é, em primeiro lugar, para distinguir a nossa realidade.
Quando na condição humana, não podemos existir como o buldogue, que não se examina e nem se importa com a ausência de simpatia.
Não podemos menosprezar a higiene como o gambá, que não sente o próprio odor.
Não nos podemos alimentar como o abutre, que não identifica a extravagância de seus apetites.
Não podemos encolerizar-nos como o tigre, que nem desconfia de sua ferocidade.
Vacilação e desapontamento formam entre os fatores que nos revelam a auto-ignorância.

Quem se conhece sabe o que quer, não hesita e nem tão-pouco se decepciona, pois age a par das possibilidades pessoais.
Não nos fantasiemos. Registremos as nossas características bifaces entre animalidade e angelitude.
Nos pensamentos, nem sempre os nossos anseios exprimem limpidez.

Nas atitudes, nem sempre os nossos gestos exprimem elevação.

Nas palavras, nem sempre a inflexão de nossa voz reflete entendimento.

Nas análises, nem sempre as nossas conclusões se fundamentam na justiça.
Lembre-se de que a verdadeira experiência cresce com quem busca conhecer-se.

Se desencarnados estamos a caminho do renascimento, agora ou depois, você, encarnado, avança para a desencarnação.

E nascer e morrer na carne são fases impostas para o auto-exame inevitável.

KELVIN VAN DINE
(Página recebida pelo médium Waldo Vieira, em reunião pública da Comunhão Espírita Cristã, na noite de 7-9-64, em Uberaba, Minas.)
Fonte: Reformador – abril, 1965