quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Liberdade Conjugal

Por Alcione Albuquerque Andrade


O ideal de liberdade é o único valor comum compartilhado pela humanidade.

Independente de credo, raça, cultura, sexo, todos desejamos ser livres e estamos paradoxalmente dispostos até a morrer por isto.

Torna-se indispensável distinguir a liberdade que é primeiro do livre pensar da libertinagem que é o livre agir. Realmente a nossa liberdade vai até onde começa a liberdade do outro. Para respeitar estes limites é preciso estar consciente das leis que governam a nossa sociedade. "Olhe bem o chão onde pisa " é a velha recomendação.

Vivemos leis morais que devem caminhar para a ética que é o respeito amoroso por todas as criaturas. Até que isto ocorra é preciso adaptar-se aos costumes da nossa cultura sem abrir mão da crítica e da auto crítica. Passemos a elas.

Com os novos mores da sociedade, ou seja, modos, moral, costumes, deparamo-nos com uma família nova, com modelos novos de conduta. A história da civilização dá a estes padrões novos o tempo necessário para ensaio e erro para que se fixem, se demonstrado que são úteis ao grupamento social ou para que pereçam por desnecessários e frágeis, sem utilidade para a sociedade. Desta maneira os mores transformam-se em ethos donde advém a ética , ou nova conduta humana.

A família que está em teste é aquela onde os papeis são mais flexíveis.

Anteriormente ao homem cabia prover, produzir filhos e disciplinar a família. Este homem viveria para a família mas via de regra, longe de casa. Ao chegar trazendo os proventos do seu esforço, esperava ver cumpridas suas leis. Ele é que trazia as notícias do mundo separando os assuntos como quem separa os cadernos de um jornal em seções. Desta forma "assuntos para mulher" ficavam a parte e com as crianças não havia com o que se preocupar já que criança "não tem assunto". Roupas de homem, roupas de mulher, eram visivelmente separadas em estilos e cores de tal forma que a sexualidade começava a ser exercida – ou não exercida ou só exercida , desde o guarda roupa. Coisas de mulher , coisas de homem , eram departamentos incomunicáveis. A mulher por sua vez cabia obedecer, gerar filhos, fazer cumprir a lei patriarcal e com isto honrar o seu marido. Para tanto ela não sairia de casa estando a disposição da família 24 horas. Sua conduta abnegada , reclusa e de renúncia , aliadas aos dotes de boa dona de casa fariam dela a mulher completa. Esta a caricatura da família patriarcal do começo de 1900 e que sobreviveu com retoques evolutivos até os anos 50.

Sobrevindo a II Guerra Mundial houve o primeiro terremoto na estrutura acomodada da família. As mulheres, viúvas , se viram de repente , necessitadas de proteger os filhos e saíram para o trabalho, despreparadas e com grande sofrimento. Geralmente acumularam funções . Continuaram a trabalhar em jornada dupla, as mesmas 24 horas de antes, porém 8 delas destinadas ao trabalho fora de casa. Sobrecarregadas , mal remuneradas. Porém criaram visibilidade, isto é , deixaram de ser invisíveis e passaram a fazer parte do mercado de trabalho . A relação trabalhista as colocou como força de produção e começou uma nova era. Mais visíveis elas se tornaram mais abordáveis sexualmente e foi assim que nos anos 60 com o surgimento da pílula anticoncepcional a revolução feminista eclodiu. Daí para frente as mudanças para a mulher tornaram-se vertiginosas. Quem ontem nada podia hoje tudo pode. A opinião dos observadores sociais é de que a escravidão continua. A mulher continua sobrecarregada inclusive por seus novos hábitos de vida: fumar , beber, ter vários parceiros sexuais, excesso de trabalho e estresse. Tudo isto desconjuntou a família como uma mesa antes estável , hoje com o pé quebrado.

O homem atual se vê um tanto perdido em seu papel. Ele não é mais o provedor único do lar; nem mesmo o mais inteligente da dupla. Os direitos de saber e de ir e vir são comuns de dois; a prole quando existe é pequena em relação a da família dos anos 900 e seus cuidados são divididos entre pai e mãe. Criou-se a mãe - substituta, as babás que são as pessoas ou instituições que vêem em socorro da prole antes responsabilidade exclusiva dos pais. O casal se subdivide entre o trabalho e o lar , incluindo os afazeres domésticos , e o educar os filhos.

Direitos e deveres são motivo de competição entre o casal e subindo o nível da insatisfação é razoável a troca de casamento. Lar e casa se confundem pois os bens de consumo tendem a ser substitutos da realização intima que formam o verdadeiro lar , refúgio e lugar para onde voltar.

A família sofre de mal estar.

Entendemos que em tudo que é novo, primeiro se instala o mal estar, porém é Jung que nos lembra que quando a família vai mal é preciso cuidar da mãe.

A FAMILIA MORREU, VIVA A FAMILIA!

Sintetizando, a título de sermos livres não poderemos fazer só o que queremos mas o que queremos deverá se adaptar as possibilidades da minha cultura.

Na nossa cultura o que se pede ao casal é em primeiro lugar que se amem, que se comprometam com esse amor e que esse compromisso inclua não trair, seja em idéias, palavras ou atos.

Fortalecidos estes laços , como as raízes de uma árvore lançam-se fundo para sustentar o tronco, pode o tronco mostrar-se em toda sua força (relacionamento amoroso), criando galhos e seus rebentos, flores e frutos que são os filhos. Mas tudo começa da raiz , do que está escondido, não visível. O que cada um traz de bagagem pessoal. Sua individualidade que precede e sucede ao casamento. Seus valores essenciais.

Valores a serem resgatados:

  • mulher: acolhimento, intuição, anonimato, suavidade,o feminino
  • homem: autoridade, iniciativa, virilidade,o masculino

Para ambos : segurança íntima profundamente ligada a questão da fé em Deus.

Retomemos a análise da liberdade conjugal, seus limites e possibilidades:

  • A primeira manifestação da liberdade é a da consciência tranqüila. Fazer o melhor possível e não ficar preso ao melhor que existe.
  • A liberdade é uma questão pessoal. Ninguém é livre para o outro como também ninguém pode me libertar.
  • Assim como o relacionamento só melhora se cada um se torna um ser melhor, assim a liberdade pessoal poderá ser exercida dentro da relação na medida em que eu sou interiormente livre.
  • Terei sempre liberdade de crescer e me desenvolver como espírito, bem como de cultivar as virtudes da paciência, tolerância, renúncia.
  • Tenho total liberdade para amar.
  • Tenho liberdade para cooperar para o crescimento do outro ainda que isto signifique deixá-lo ir.
  • Tenho liberdade e responsabilidade de me conhecer cada dia mais e melhor.
  • Tenho liberdade para cooperar para que o meu relacionamento seja cada dia melhor.
  • Tenho liberdade para ser co-operador de Deus .



Fonte: Site CVDEE - “Centro Virtual de Divulgação e Estudo do Espiritismo”



2 comentários:

Valdemir Reis disse...

Amiga Aline estou lhe visitando e fiquei encantado com o seu Blog, excelente. Muito bom o trabalho que desenvolve, parabéns.
Sucesso, fique com Deus.
Valdemir Reis

CARLOS PEREIRA disse...

Prezada Aline,

Muito bonito o seu blog!,
Com muita satisfação estou lhe visitando hoje e solicitando, se possível, uma visita ao Manancial de Luz, pois tenho uma pequena tarefa a ser cumprida por nós, ok?

Parabéns!!
Carlos Pereira
http://www.manancialdeluz.blogspot.com/